Estímulo e satisfação. Esta é a síntese que expressa o sentimento dos deficientes auditivos que estão realizando o trabalho de digitalização de milhões de páginas de processos no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Eles formam um grupo de mais de 200 servidores terceirizados que vem atuando com êxito na transformação dos processos de papel em arquivos digitais.
Este trabalho é a mola propulsora da proposta de transformar o STJ, a partir de março, no único tribunal nacional do mundo a ser totalmente virtualizado. “Meu sentimento é de realização. Sinto-me gratificado por desempenhar tarefas significativas ao lado de outros colegas também deficientes. Este trabalho vem sendo importante pelo que representa para o tribunal e pelos conhecimentos e especialização que estamos adquirindo”, disse Carlos Eduardo de Lima Graça, um dos deficientes auditivos e que ocupa o cargo de supervisor.
Carlos Eduardo lembrou que as empresas possuem, em seus quadros, um determinado percentual de trabalhadores com algum tipo de deficiência, mas em pouquíssimos lugares – entre empresas privadas e órgãos públicos – eles atuam de forma tão concentrada como no STJ, onde passa de 200 o número de deficientes auditivos contratados, mediante terceirização e em parceria com entidade de apoio a pessoas portadoras deste tipo de deficiência.
Discriminação
“Não dá para dizer que não existe discriminação, pois algumas pessoas ainda vêem com ceticismo nosso trabalho. Mas, independentemente de estarmos contribuindo com o STJ, nosso sentimento é a de que trabalhar neste projeto ajuda a sermos vistos de forma positiva pela sociedade”, destacou.
O projeto “STJ na Era Virtual” tem a proposta de permitir uma justiça mais rápida e eficiente. O sistema virtual consiste na eliminação de procedimentos que são demorados, como transporte dos processos do tribunal de origem até o STJ, bem como recebimento e deslocamento dos autos dentro do tribunal. O novo sistema proporcionará redução considerável do tempo gasto entre a saída do processo do tribunal de origem até a distribuição ao ministro relator do STJ e tem a facilidade de permitir, ao advogado e às partes envolvidas no processo, que possam acessá-lo de modo eletrônico de qualquer lugar, em qualquer dia e horário. O projeto, pelo seu bom desenvolvimento, foi o grande vencedor do Prêmio Innovare de 2009 – prêmio que tem por objetivo destacar as melhores práticas no âmbito do Judiciário brasileiro.
Fonte: site do STJ – www.stj.gov.br
